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Altas habilidades (AH/SD) para além do entretenimento

Grupo Reinserir

Quando falamos em pessoas com altas habilidades ou superdotadas logo vem à mente as cenas dos programas televisivos de fim de semana com crianças respondendo cálculos complexos ou bandeiras de países aleatórios. Essa parcela da população vai sendo colocada numa espécie de fetiche sobre uma inteligência acima da média ou uma espécie de dom.

Com isso, observamos um doloroso processo de desumanização desses sujeitos que, diante de tantas habilidades, são cerceados de outras tão humanas como a possibilidade de sofrer; constranger-se ou simplesmente errar.

As crianças da TV não nasceram sabendo aquilo; são treinadas, dia a dia, hora a hora, para reter aquelas informações. Existem, sim, aptidões particulares no uso da atenção - enquanto função psíquica - e alguma coisa também em torno da motivação - outra função psíquica - principalmente por estabelecerem ritmos de aprendizagem tão regrados com tão pouca idade.

Mas não nos esqueçamos que o desenvolvimento de alguém é socialmente determinado. Isso quer dizer que para cada criança prodígio existe um ambiente que, bem ou mal, viabilizou o crescimento daquelas habilidades.

Não quero me estender aqui sobre o conflito ético em expor crianças como entretenimento em troca de ganhos financeiros - mesmo que sejam bolsas de estudos.

O objetivo desse texto é alertar que existe mais no universo particular da superdotação e para isso continuaremos essa conversa em textos posteriores.

Imagem: @de.saturno