Voltar aos artigos

Altas habilidades e o tédio relacional

Grupo Reinserir

Pedante, chato, palestrinha, arrogante, nerd, bitolado, esquisito e qualquer outra ladainha que você já tenha direcionado à alguém que sabia de coisas que o resto da turma não sabia.

Mas nem toda criança com altas habilidades corresponde ao padrão de aluno dedicado e essa é uma informação importante. Já vão sendo produzidas evidências científicas de que existe uma relação entre neurodivergência e o envolvimento com o crime, além do uso prejudicial de drogas. Isso porque em um ambiente típico empobrecido, limitado, um sujeito vai se mover na direção da complexidade necessária à possibilidade de desenvolvimento.

Não existem previsões ou certezas de quais e como as habilidades de uma pessoa neurodivergente poderão ser aprimoradas; em uma dinâmica social que privilegia aptidões técnicas que garantam força de trabalho, aspectos relacionais - e emocionais - vão sendo sistematicamente esquecidos.

Com isso, restam pessoas crescidas solitárias, presas a relações insatisfatórias ou violentas que pouco compreendem por que interagir é tão desinteressante e desgastante.

Pensar a neurodivergência enquanto parte da diversidade humana é urgente na nossa missão de restabelecer uma ordem comunitária de vida em que as relações sejam possibilidade e não cerceamento.

@de.saturno