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Cheguei aos 30, e agora?

Grupo Reinserir

Sem família - no máximo uma maternidade solo - sem casa própria, carro ou segurança de aposentadoria. Estou atrasada? Sou medíocre?

“Minha família foi uma das primeiras a chegar nesse bairro/favela/quebrada” é uma fala coletiva que existe na minha própria história, na das minhas companhias de vida e também nas vidas que atendo diariamente.

Quem chega aos 30 hoje, aqui em SP ou em metrópoles semelhantes, é resultado de um processo histórico de migração e desenvolvimento econômico. Olhe quanta coisa determinou onde e como estamos hoje. Entender que nossa posição no mundo não é exatamente individual pode ser um combustível indispensável pra acolher dores e organizar raivas; pra transformar a realidade que não pode ser mudada se não for compreendida.

Sim, nenhuma experiência é totalmente individual e esse é - mais um - lembrete pra você valorizar e se orgulhar do caminho que trilhou até aqui, inclusive se ele for medíocre. Desculpabilizar para compreender e transformar!

Conte sua história, na mesa do bar, na terapia, num trabalho acadêmico, pras crianças que vieram depois. Olhe para ela, se ouça falar. É através dessa contação que a gente aprende sobre si, sobre o outro e sobre nós. E aprende, inclusive, que o coletivo-político-histórico está em tudo.

Imagem: @de.saturno