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Comunidades terapêuticas: o encarceramento disfarçado de cuidado

Grupo Reinserir

As chamadas comunidades terapêuticas não são espaços de cuidado, são dispositivos de controle, punição e exclusão. Sob o disfarce de “acolhimento” e “tratamento”, elas reproduzem a lógica manicomial: confinam, silenciam e disciplinam corpos considerados desviantes, sobretudo pessoas pobres, negras e aquelas que fazem uso de drogas.

Financiadas pelo Estado e legitimadas por discursos morais e religiosos, essas instituições seguem violando direitos humanos em nome de uma suposta “cura”. Por trás dos muros, há trabalho forçado, isolamento, tortura psicológica e práticas que negam qualquer perspectiva de liberdade ou autonomia. O que se chama de terapia é, na verdade, coerção e castigo.

As comunidades terapêuticas representam a face mais atual da contrarreforma psiquiátrica no Brasil. São parte de um projeto político que tenta restaurar o controle sobre os corpos marginalizados. Um projeto que reforça a criminalização da pobreza, o racismo estrutural e a moral conservadora sobre o uso de drogas. Em vez de políticas públicas de saúde mental e redução de danos, o que o Estado oferece são cercas, celas e orações obrigatórias. É o retorno do manicômio sob outro nome.

Defender a vida e a liberdade é denunciar as comunidades terapêuticas. É afirmar que ninguém se trata na prisão. Que o cuidado só é possível em liberdade, com vínculos, território e políticas sociais. É lutar por uma sociedade que não precise esconder sua dor atrás de grades e rezas.

Pela plena efetivação da Reforma Psiquiátrica, pelo fortalecimento do SUS e da Rede de Atenção Psicossocial: Por uma sociedade sem manicômios. Contra as comunidades terapêuticas!

Acompanhem o: @campanhacontract