Existe crianças viciadas em telas?
Escrito por Psicóloga Nárrina Gabrieli Ramos Pereira CRP 06/159448
Publicado em 28 Sep, 2025
O conceito de vício embute concepções médicas e religiosas cheias de culpa e desresponsabilização. Ao invés disso, preferimos pensar em “exposição precoce e danosa de crianças à telas”.
Exposição por que é algo que foi colocado àquela criança, por adultos, que deveriam ser a mediação de seu desenvolvimento;
Precoce por que aquela criança ainda não tem repertório suficiente para elaborar o fluxo de informações que lhe chegam por ali;
E danoso por que ao passo que a interação com as telas substitui o contato e a interação humana, o desenvolvimento sócio-afetivo desse sujeito é prejudicado;
E sem pânico moral pra culpabilizar mães sobrecarregadas que usam as telas pra manter a criança quieta (em segurança) enquanto estende a roupa. É um problema social cujo manejo deve ser pensado socialmente. Por que nossos adultos estão esgotados e indisponíveis?!
Se você não sabe por onde começar, aqui vão algumas pistas:
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Uma tela por vez; o uso simultâneo de mais telas faz o problema escalar rapidamente;
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Com menos de 1 ano de idade, o mínimo possível. Se possível, não dê. A partir disso, até 2 horas por dia é um limite importante, de preferência assistindo numa TV compartilhada.
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Criança não precisa de celular próprio.
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Pra cada hora de tela, 2 horas de conversa e brincadeira.
Se você percebe que a criança já apresenta comportamento de sofrimento com a restrição do uso, como crises de choro intensas e agressividade, consulte um psicólogo para construir um manejo adequado.
Estamos à disposição ;)
@de.saturno