Minha amiga sapatão agora é bissexual. Pode isso?
Escrito por Psicóloga Maria Julia Viana da Silva CRP 06/159588
Publicado em 17 Aug, 2025
Pode e deve!
Mas ela sempre disse que gostava só de mulheres, como agora se diz bi? Ela estava mentindo antes? Mudou de ideia? Será que um dia vai dizer que é hétero?
Calma, respira. Vamos lá!
A sexualidade não é apenas um dado biológico, mas um fenômeno que se transforma ao longo do desenvolvimento do sujeito e da sociedade. Desde a infância, somos atravessados por significados, normas e valores que orientam como experimentamos e damos sentido ao desejo, ao corpo e às relações. Essa historicidade da sexualidade significa que ela não é fixa, mas sim um campo de possibilidades e transformações, certo?
É nesse ponto que a experiência e a transformação se tornam centrais. O ser humano não apenas vive a sexualidade, mas a elabora, ressignifica e transforma a partir de suas vivências e das condições concretas de sua existência. Diferente dos animais, que respondem a estímulos biológicos de maneira relativamente previsível, os seres humanos criam cultura, desenvolvem afetos complexos e constroem formas singulares de expressar a sexualidade.
E olha que bonito: o que nos diferencia dos outros animais é justamente a capacidade de transformar.
Isso significa que a sexualidade não pode ser reduzida a um instinto ou a um roteiro pré-determinado pela natureza, mas precisa ser compreendida como um campo de possibilidades que se abre na relação entre o sujeito e o mundo em que ele vive.
Se a gente muda de gostos, opiniões e até de valores ao longo da vida, por que o desejo seria a única coisa intocável, hein?
O importante não é encaixar as pessoas em caixinhas definitivas, mas garantir que elas possam viver suas descobertas sem medo do julgamento. E apenas ser no mundo.