O preço da competitividade
Escrito por Psicóloga Maria Julia Viana da Silva CRP 06/159588
Publicado em 17 Aug, 2025
Já sentiu que, mesmo em momentos de felicidade, há uma pressão constante para ser “o melhor”? No mundo capitalista em que vivemos, essa competição não fica restrita ao mercado – ela invade nossos relacionamentos e afeta a forma como enxergamos uns aos outros.
Estamos vivendo para trocar ou apenas para competir? E, no final, o que isso nos custa em termos de autenticidade e afeto?
A ideia de que nossas conquistas são resultado exclusivo do esforço individual, da determinação e do quanto nos dedicamos, cria um cenário propício para transformar o outro em rival. Nessa perspectiva, quem deveria ser companheiro acaba se tornando adversário. Já pensou o quanto essa lógica de competição tem impactado a profundidade das suas relações e moldado seus próprios desejos?
E até em momentos de celebração se torna sobre comparações: quem foi mais longe? Quem teve mais sucesso? Quem tem mais?
A pressão por ser “melhor” nos distancia da possibilidade de criar relações genuínas, onde o afeto é trocado livremente e sem julgamentos.
O amor, amizade e solidariedade ficam subordinados à utilidade do que o outro pode nos oferecer. A ideia de que estamos em constante disputa, nos desumaniza cada vez mais e fragmenta nossas relações.
Já imaginou abandonar o estado de alerta constante e repousar no colo de relações genuínas? Em que o sucesso não seja em vencer essa corrida desenfreada, mas criar laços que nos permita desacelerar, respirar e sentir que o outro é companheiro e não um adversário a ser superado.