Para além da realidade determinada, o sintoma expressa o real que habita em nós
Escrito por Psicanalista Gabriel Hirata
Publicado em 04 Jan, 2026
Dentro de uma sociedade onde cada vez mais são pré-determinados os modos de ser, agir e pensar, e assim, considerados corretos e racionais, e quanto mais a vida nessa sociedade se torna uma rotina pautada por tarefas que compreendemos tão bem, ao ponto da ausência de sentido não ter uma relação significante com a vida prática, pois, o sentido do senso comum é assujeitado ao sentido do campo econômico. Demais, a existência nessa sociedade se torna previsível, repetitiva e sem memórias coletivas, ou seja, aquilo que se estrutura sob a forma da posse individual não possui relações com um passado universal. Com precisão, observa-se vidas individualizadas que são fundamentadas em estratégias de sobrevivência para um Eu fortalecido em constante estado de potência, e cada um nessa sociedade está no seu tempo privatizado, para exercer funções cada vez mais mecânicas, desprovidas de um sentido mais amplo e imensurável.
O sentido, no caso dessa sociedade, se torna exclusivamente quantitativo, possível de ser medido rigorosamente por instituições financeiras que determinam as formas disponíveis de existência na vida desta sociedade.
Sendo assim, o sintoma é o único portador de um significante real, ou seja, um significante que resiste à imposição do sentido determinado pelo lucro. Desvelar ao que se está sujeito, não apenas o significado do sintoma, mas também o seu modo de funcionamento na produção de sentido, e rememorar as suas relações causais dentro da história da formação de si, é a maneira mais próxima de compreender à inscrição do sujeito no laço social, e ao mesmo tempo, da transformação estrutural dessa sociedade.