Será que eu preciso de internação?
Escrito por Psicóloga Nárrina Gabrieli Ramos Pereira CRP 06/159448
Publicado em 17 Aug, 2025
Vez ou outra viraliza uma notícia de uma figura pública que recorreu à internação em clínicas psiquiátricas para tratamento de alguma condição de saúde mental.
E a gente não tem muito a ver com o que o outro faz da própria vida, né. Cada um sabe (ou deveria saber) de suas necessidades.
Mas quando acontece de o assunto viralizar, existem alguns pontos que precisamos pensar juntos: Um artista milionário não vai recorrer a enfermaria psiquiátrica do hospital geral do seu bairro. A internação mencionada ali naquela manchete não tem nada a ver com a que você, trabalhador, pode acessar.
Por vezes, para quem tem muitos recursos financeiros, a internação ocorre em instituições privadas, de alto padrão, com serviços de hotelaria e bem-estar, quase como um “retiro” que é composto também por acompanhamentos terapêuticos variados.
Para a classe trabalhadora, a realidade é um setor cheio de grades, gritos e um relógio parado pendurado na parede. Com profissionais terapeutas sobrecarregados, indispostos e precarizados.
Você já ouviu falar em Luta Antimanicomial? Ela é resultado de décadas de organização política popular. É fundamental que a gente não seja levado pela romantização de cenários de violência feita por quem está bem protegido da realidade.
Cuidado em saúde mental tem que ser em liberdade. Não existe efetividade em tratar um problema complexo socialmente determinado de forma isolada.
Se pra você a internação tem parecido uma saída, nossa sugestão é: considere férias. Mantenha seu acompanhamento (mesmo de forma remota) com profissionais de referência, psicólogo e psiquiatra quando necessário. Se possível, contate também uma nutricionista. Faça uma viagem voltada para o descanso, relaxamento e autopercepção, evite o uso de drogas e priorize ter tempo de solitude.
A internação em casos de crise e/ou sofrimento agudo existe e pode ser necessária em determinados casos, mesmo diante da insuficiência do modelo biomédico presente na saúde pública. Mas ela não deve ser um objetivo terapêutico.
@susanocorreia - arte